
Agora a campanha começou para valer!
O
início do Horário Eleitoral Gratuito na televisão e no rádio, amanhã,
marca a reta final das eleições, quando os candidatos vão concentrar
todos os seus esforços para ganhar o seu voto. Nessa hora, o marketing se
torna imprescindível para adequar a figura dos candidatos às
expectativas da maioria dos eleitores. Entretanto, ele também cria
distorções e pode gerar falsas ideias sobre os postulantes. Por isso, é
importante estar bastante atento quando exposto à propaganda política.
O
principal cuidado que o eleitor deve ter é analisar as propostas e
afirmações dos candidatos diante de sua realidade. O eleitor tem que ver
se o que sai na tevê corresponde aos fatos da vida real, em particular
quando um governante fala de suas ações. A propaganda, em geral, não é uma enganação e sua existência é parte do jogo democrático.
O
eleitor de hoje tem mais senso crítico do que há 20 anos. Logo, os
candidatos de hoje percebem que mentir e prometer o impossível não cola.
A principal preocupação do eleitor de hoje é verificar o histórico dos
candidatos e os valores que ele defende, e ver se eles são compatíveis
com os seus. Não existe voto certo e voto errado. O eleitor tem é que
identificar quais são as suas prioridades e as prioridades dos
candidatos. O senso crítico também é importante nessa hora. A reta final
das eleições tende a vir acompanhada de uma “inflação de promessas”.
Portanto, o importante é avaliar o que é só propaganda e o que é,
realmente, uma proposta ou posicionamento concreto. Para ajudar a
driblar as “armadilhas” da propaganda eleitoral, O Boiga separou seis
dicas para que o seu voto seja no candidato cujas propostas são mais
parecidas com o que você espera para sua cidade.
Cuidado com as emoções
Nenhum
voto é 100% razão. Existem linhas de pesquisa na ciência política que
mostram que os eleitores tendem, primeiro, a gostar da pessoa do
candidato, antes de arranjar justificativas para dar seu voto. Logo, é
natural que os candidatos apelem para o lado emocional, tentando criar
uma empatia para facilitar o diálogo com o eleitor, do mesmo jeito que
as margarinas e as pastas de dente são sempre vendidas por uma família
simpática e feliz. Entretanto, é bom lembrar que, na hora de votar, o
importante é conhecer as propostas do candidato e saber se elas são
parecidas com as suas – e não se ele é um sujeito alegre que gosta de
crianças e cachorros, assim como você. E saiba, também, que cada sorriso
e cada lágrima são calculados para conseguir sua simpatia – não que
isso seja errado, mas é verdade.
Desconfie dos “candidatos ficha-limpa”
É o chavão do momento! A expressão
“candidato ficha limpa”, geralmente acompanhada de um selo,
invariavelmente vai aparecer no material de campanha de uma porcentagem
considerável dos postulantes à câmara e prefeitura. Aprovada em 2010, a
lei da Ficha Limpa vai valer pela primeira vez nas eleições de 2012. Ela
determina que cidadãos com certos tipos de condenação em órgãos
colegiados são inelegíveis. E aí está a questão:
se o candidato não fosse “ficha limpa”, ele nem sequer se qualificaria
para disputar as eleições. Logo, todos os candidatos são “ficha limpa”.
Vale dizer que “ficha limpa” e idôneo são duas coisas bem diferentes.
Não ter sido condenado não significa necessariamente ser honesto.
Pesquise a história de vida do seu candidato para saber se a ausência de
condenações significa, realmente, que ele é uma pessoa honesta e digna
de seu voto.
Cuidado com os “padrinhos mágicos”
É natural em eleições municipais que um político de expressão estadual ou federal venha
apoiar um determinado candidato, que geralmente não tem a mesma
visibilidade. E não há nada de errado nisso. Entretanto, é sempre bom
lembrar: quem vai exercer o mandato é o candidato, e não os “amigos”
dele. Além disso, é sempre bom avaliar os motivos que levam um político a
apoiar outro. Esse apoio existe por comunhão de ideias ou é apenas mais
uma peça em uma barganha de cargos? Um bom indicador é verificar se o
grupo do político que ofereceu apoio obteve alguma vantagem imediata, ou
promessa de vantagem futura. Desconfie também de políticos que trocavam
farpas até recentemente, mas que hoje andam de mãos dadas – e
vice-versa.
Cuidado com o óbvio
“Sou
a favor da saúde, da educação e da segurança”, repetem milhares de
candidatos Brasil afora. Todo eleitor deve pensar: “eu também”. Mas,
afinal, quem pode ser contra tudo isso? Na verdade, ao dizer ser a favor
de coisas que todo mundo é a favor, ou contra o que todo mundo é
contra, o candidato se esquiva de ter de se posicionar em relação a
temas importantes do debate público. O melhor remédio é buscar
aprofundar os assuntos. Se seu candidato diz que é a favor da segurança,
tente descobrir se ele é a favor de reduzir liberdades individuais em
nome da segurança coletiva – um exemplo é a instalação de câmeras de
vigilância nas ruas da sua cidade. A partir dessa posição concreta você
pode saber se ele pensa ou não igual a você.
Saiba as atribuições do cargo
Começa
a campanha e, com ela, chegam as promessas. Candidatos a vereador
prometem implantar a educação integral nas escolas, resolver o problema
da fila nos postos de saúde e asfaltar todas as ruas do seu bairro. Já
os candidatos a prefeito podem até falar em ligar João Pessoa a anta
Rita e Cabedelo, via metrô e triplicar o número de policiais militares
na cidade. Antes de acreditar em uma proposta, saiba o que o candidato
pode fazer dentro de suas atribuições. A Polícia Militar é um órgão do
governo do estado, e não da prefeitura. Quem tem que decidir sobre a
implantação da educação integral nas escolas é a prefeitura, e não a
Câmara. E por aí vai. Isso não quer dizer que o prefeito não tenha
responsabilidade pela segurança, ou o vereador pela educação. Aliás,
alguns tentam sair pela tangente dizendo que certas coisas não são de
sua atribuição. Verifique isso também.
Afinal, é possível?
Quando
a esmola é demais, o santo desconfia. E o eleitor deve desconfiar
também. A principal maneira de evitar ser enganado por um candidato é
analisar as propostas munido de um saudável senso crítico. Quando o
candidato diz que vai construir uma obra faraônica que vai resolver
todos os problemas da cidade, pense: a cidade tem dinheiro para isso?
Essa obra vai resolver tudo mesmo? Se era tão óbvio, porque ninguém fez
isso antes? Quando o candidato fala de um projeto muito grandioso, veja
se ele tem uma resposta, também, para o custo desse projeto e o número
de moradores que ele deve atingir. Veja, também, a repercussão da
proposta. Se muita gente colocar o projeto em xeque e o candidato não
conseguir convencer que ele é viável, alguma coisa está errada.









Nenhum comentário:
Postar um comentário