O "Santos de Pelé", como era conhecido por aqui e alhures, veio para a
Parahyba para levar o ponteiro Ferreira, um ponta-esquerda descoberto
pelo União – sei que jogou em outros times amadores - time oficial do
Jornal do Governo.
Ferreira era um craque. Tanto que por força do seu futebol e da
proteção do "Rei" - negar ninguém há de -, levou Edu, um dos maiores
dribladores do verde-amarelo país do futebol, a procurar outra posição.
Naquele dia o milésimo gol do genial Pelé, personagem criado pelo idiota
Edson Arantes do Nascimento, só não aconteceu pela maior palhaçada
futebolística que esses olhos de Arquibaldo já viram.
O Santos venceu ao Botafogo paraibano pelo placar de 3 a 0. O placar
na verdade era o que menos importava. O povão queria mesmo era assistir
ao milésimo gol do "Rei", tendo como palco o nosso histórico estádio
Olímpico Ou, como queiram, José Américo de Almeida. Se o milésimo gol
fosse feito por aqui a Parahyba, ouvia-se em tudo que era esquina,
entraria para a história do futebol e dela nunca mais sairia.
Todos comentavam pelas esquinas. O estádio seria tombado. Pelé
ganharia uma estátua de corpo inteiro. O mundo veneraria o José Américo
de Almeida mais que Louvre e a Parahyba, vendendo aos pouquinhos cada
muda de grama do campo - como fizeram com o Muro de Berlim- onde ele
pisou, ficaria tão rica quanto o mais ricos dos estados suíços.
Mas tudo ficou por aí. O que aconteceu?! Todos sabem. Logo depois que
o idiota do Edson permitiu que ao genial Pelé marcasse o seu 999º gol, o
inesperado fez uma surpresa.
Hoje aposentando como Policial Rodoviário, Jair Estevão, não o
Augustin Mario, o Cejas, como muitos pensam, era o goleiro do Santos
naquele dia. O inesquecível 14 de novembro de 1969. Ainda hoje, somente
sorriso, zombando dos parahybanos que sonhavam com o parágrafo aí de
cima, costuma recordar que assim que o Pelé fez o gol de número 999, foi
obrigado a se "contundir". Estava tudo arrumado. Pelé entraria no seu
lugar. Viraria goleiro. Brincadeira sem graça.
Poucos sabiam que havia um ás na manga que alguns parahybanos
ilustres - o povão não, sempre foi sincero e ingênuo - que antes da
partida só não deram as suas mulheres para o negão porque ele besta que
sempre fora recusaria, não conheciam. O Santos entraria em campo sem o
goleiro reserva. Tudo bolado pelo Júlio Mazzei, preparador físico de
Pelé. Ninguém do Santos queria que o milésimo gol de Pelé saísse no
quintal da Parahyba, mas no Maracanã.
Lembro que naquele ano, um ano antes da consagração no México do
genial Pelé, 1berto ainda era um menino que não sabia nada de batucada.
Ser o bom da molecada e bater bola era tudo o que ele queria. Achando
pouco, sonhava fazer escola. Bons tempos aqueles! Tirava de letra a
pelada com bola de meia e ouvia o Sérgio Ricardo!
E assim o pau-mandado Pelé, como fora premeditado, só faria o
milésimo gol, esse que para este escriba teve importância menor que o
primeiro gol marcado por ele no campo da Vila do seu bairro de
Jaguaribe, contra o goleiro do Vasco da Gama, Andrada, nesse mesmo ano
no Maracanã. O jogo? Todos sabem: 3 x 0 para o Santos. Um gol de pênalti
do genial Pelé.
Em tempo: dessa vez o idiota do Edson Arantes não teve forças para
impedir que o Pelé mandasse. Ou melhor, fosse mandado. Uma triste
lembrança: antes de entrar no campo, no vestiário, ouvi quando o idiota
(não era o Pelé) se referiu a minha Parahyba como “essa porcaria”.
Triste lembrança: “Vamos acabar logo e sair dessa porcaria”. Depois
desse nunca mais voltou. Eu agradeci, e agradeço até hoje. Na volta,
fosse agora, ele se perderia. Um ex-croto!
* Foto histórica Heráclito de Almeida e Pelé no dia em que
ele, Heráclito de Almeida, mandou o negão pegar o caminho do banheiro.









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