* Públio José é jornalista
Essa colocação me foi apresentada numa reunião com lideranças nas
Quintas. A pessoa que se levantou, reclamou, primeiramente, dos
políticos e governantes que promovem programas assistenciais nos bairros
durante os finais de semana, distribuindo favores, alimentos e outros
serviços. Segundo a sua observação, nos dias subseqüentes, tudo volta ao
que era antes na vida dessas pessoas. E arrematou: “Esse povo quer
enrolar a gente com seus programas de enxugar gelo”.
Todos conhecem essa expressão. Significa a pratica de uma atividade
que pouca utilização tem ou quase nenhum resultado oferece. “Enquanto
isso – ressaltou – as escolas permanecem fechadas durante os fins de
semana, sem prestarem nenhum serviço à comunidade. O senhor podia pensar
a respeito disso”. Foi o suficiente.
De repente, começou a se formar na minha cabeça todo um conjunto de
idéias e iniciativas que poderíamos levar às comunidades, principalmente
as mais carentes, durante os fins de semana. E imaginei também como a
rede de escolas estaduais e municipais é bem estruturada para isso – e
ao mesmo tempo tão inoperante nessa direção.
A verdade é que, enquanto nos dias de semana as pessoas nos bairros
estão atuantes em suas casas, nas escolas, nos locais de trabalho,
portanto ocupadas, as escolas também estão em funcionamento. Mas o que
acontece nos fins de semana? Nas localidades mais carentes as pessoas
estão em casa, ociosas, necessitadas de ocupação, de lazer, de
entretenimento, de assistência e acompanhamento – e as escolas fechadas.
E o interessante é que é raro o conjunto habitacional, bairro ou
qualquer outra aglomeração aqui em Natal que não disponha de uma boa
escola bem estruturada fisicamente.
Assim, estamos sugerindo ao próximo prefeito de Natal um projeto no
sentido de levarmos aos bairros, através das escolas, um leque de
atividades que vai desde a iniciativa mais simples, como reuniões de
cunho esportivo e social, às mais complexas: capacitação profissional,
campanhas de aleitamento materno, de esclarecimento da gravidez na
adolescência, campanhas de saúde pública que envolvam o combate às
pragas urbanas (ratos, baratas, moscas, dengue, droga, alcoolismo,
prostituição, etc, etc), ensino de artes plásticas, de música, de
produção culinária e artesanal, exposições de arte, feiras, congressos,
seminários… Enfim, um profundo e variado portfólio de ações as mais
diversas, com o objetivo de prover as pessoas mais carentes de um
sistema permanente de informações e de assistência social.
Com pouco tempo os indicadores sociais assinalariam o acerto da
execução desse projeto. As pessoas, ao serem valorizadas e esclarecidas,
tenderiam a largar a ociosidade e a prática de todas as suas
conseqüências. Os jovens, de ambos os sexos, passariam a enxergar na
escola uma parceira bem mais ampla do que aquela que lhe exige
simplesmente boas notas nas matérias ministradas durante a semana. Os
idosos passariam a viver a vida com perspectiva bem mais otimista, em
função do aprendizado de alguma atividade que viesse lhe tirar de uma
existência sedentária e sem objetivo. Todos, enfim, sairiam ganhando. E
os políticos e governantes com seus “programas de enxugar gelo?” Bem,
estes com certeza não desapareceriam. Mas passariam a buscar a chance de
enganar o povo em outras paragens. Quais? Aí é outra conversa. Por hoje
o espaço acabou.
* Públio José é jornalista (publiojose@gmail.com)









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