Sem querer desmerecer o mister de prostituta (Profissão nº
5198-05 – Classificação Brasileira de Ocupações), o cenário político alexandriense
muito se assemelha a uma valsa de meretrizes. Os candidatos oscilam entre as
tetas do poder, como “mulheres de vida fácil”, oferecendo-se ao varão que pagar
mais. Nunca vi tanta estreiteza de caráter e falta de éticas juntas. Estou em
Alexandria há dez anos, já vi político médico ser escorraçado de um hospital,
já vi políticos puxando cabelos de outro etc. político patrocinar ferrenhas
denúncias de improbidade e arbitrariedade contra um gestor público e este ser
afastado. Hoje, esta pessoa é seu mais “fiel” aliado. Viscerais inimigos
tornam-se, com num toque de mágica, amigos íntimos, permanecendo fieis até que
outra conveniência os separe novamente. Não existe oposição ética a
governistas. Há, isto sim, oposição conveniente e oportunista pela não
participação na fatia de cargos oferecidos pelo Poder. Ninguém pensa no bem
comum do povo.
Alexandria é um dos mais atrasados do RN e consequentemente
mais atrasados do Brasil e, na atual legislatura municipal, mantém-se vassala
do executivo. Para piorar, o equilíbrio entre os três poderes – legislativo,
judiciário e executivo – apresenta-se sensivelmente abalado com a hipertrofia
anômala deste último. No geral, as equipes dos administradores eleitos pelo
povo são compostas, salvo raríssimas exceções, de uma gleba de incompetentes e
despreparados, nomeados unicamente por motivos obtusos como o nepotismo,
clientelismo e fisiologismo. A constituição já tem mais 20 anos, e o princípio
da impessoalidade nunca foi seguido à risca.
As siglas partidárias, representando as mais diversas
ideologias políticas (socialismo, trabalhismo, democracia, comunismo etc) são
meros signos alegóricos. Já vi “socialistas” defenderem a terceirização
(rectius: privatização) da saúde pública, numa ilógica e insana postural
neoliberal. Isto tudo é explicado pela busca incessante dos agentes públicos
por prestígio, poder e dinheiro, as três potestades demoníacas responsáveis
pela ruína e decadência da sociedade alexandriense. Alguém defende o concurso
público? Não! Servidor concursado é mais difícil de ser manipulado, eis que
detentor de estabilidade; não vende seu voto em troca de um cargo. É por isso
que as administrações públicas estaduais e municipais estão repletas de
trabalhadores temporários, oprimidos e assediados a todo instante para manterem
sua fonte de sobrevivência. Tudo acontece sob às vistas dos Tribunais. Não sei
como essa gente tem estômago para tudo isso: valsando de um lado a outro em
busca de conluios e vantagens ilícitas. A medida que o tempo passa, dói admitir
que Maquiavel poderá estar certo: terá todo homem o seu preço?









Um comentário:
Eu conheço um texto de Thurbay até no Bordél
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