Augusto Nunes
Em nações politicamente adultas, Renan
Calheiros e Henrique Alves não passariam da primeira anotação no prontuário:
antes da segunda patifaria, seriam transferidos da tribuna para um tribunal,
teriam o mandato cassado e só voltariam ao Congresso para depor em alguma CPI
ou, depois da temporada no presídio, fantasiados de turistas. Num Brasil com
cara de clube dos cafajestes, o senador alagoano vai presidir a Casa do
Espanto e o deputado potiguar vai administrar o Feirão da Bandidagem. Faz
sentido.
A seita lulopetista aprendeu que folha
corrida é currículo, integridade é defeito e honra é coisa de otário. Como
nas disputas promovidas mensalmente pela coluna para a escolha do Homem sem
Visão do Ano, a eleição do presidente da Câmara ou do Senado comprova que os
congressistas votam no candidato que lhes pareça o pior entre os piores. A
galeria dos eleitos depois do advento da Era da Mediocridade confirma que,
quanto mais alentado for o prontuário, maior será a chance de
vitória.
Indicados pelo PMDB, com o endosso de
partidos da base alugada e o apoio da oposição oficiais, Renan e Henrique Alves
estão à altura dos atuais ocupantes do cargo. José Sarney só não foi
despejado da presidência do Senado porque Lula o promoveu a Homem Incomum e os
oposicionistas estão em férias há 10 anos. Renan teve de renunciar ao posto
para escapar da cassação que até seus comparsas achavam inevitável. Marco
Maia acha muito natural que um deputado condenado pelo STF passe o dia no
plenário e a noite na cadeia. Henrique Alves já avisou que, se José Genoíno
precisar de um coiteiro, é só chamar o presidente.
Contemplada do lado de fora, a sede do
Parlamento brasileiro é uma bela criação da grife Niemeyer. Visto por dentro,
sobretudo por quem conhece a face escura dos inquilinos, o lugar onde deveria
haver um Congresso é reduzido a um acampamento de meliantes com um terno escuro
que não se dá com a gravata, sorriso de aeromoça e a expressão confiante de quem
confunde imunidade parlamentar com licença para pecar.
O Congresso virou um Carandiru sem grades. É
natural que seja dirigido por casos de polícia










Nenhum comentário:
Postar um comentário