quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

SENTA AÍ QUE LA VÉM A ESTÓRIA: O FOLCLORICO POLÍTICO DE ZÉ GADELHA ESCRITO POR TIÃO LUCENA

O tribuno Zé Gadelha
Não sei por quais motivos ninguém ainda inventou de escrever um livro sobre o político Zé Gadelha, inclusive os filhos dele, todos famosos, com mandatos de deputados e de juízes. O velho Zé poderia virar livro e livro dos bons, pois sua história política daria para tanto
Zé animava sozinho um comício. Os filhos puxaram a ele, mas o velho tinha mais veneno nos dizeres. Anunciava que ia abrir a boca do saco ou quebrar o pote para mostrar os ladrões de Sousa e adjacências que havia dentro de tais recipientes e o povo só arredava do comício quando o saco era aberto ou o pote quebrado.
Eilzo Matos era uma espécie de calo do velho Zé. Certa vez, em Santa Cruz, durante um comício, Eilzo acusou Zé Gadelha de tomar o dinheiro do povo e por isso não merecia confiança. E aconselhava: "Se ele chegar na casa de vocês, só deve ser recebido na cozinha e olhe lá". No final de semana seguinte, Zé Gadelha foi a Santa Cruz e, no comício dele, desabafou: "Esteve por aqui um cabra safado chamado Eilzo Matos. Aquilo é um cachaceiro, um "chora na rampa". É um cachorro e dos pequenos, um cachorro de balaio".
Noutra disputa contra o advogado Gilberto Sarmento, prestou contas ao povo dizendo assim: "Apresento a vocês Buega Gadelha, um engenheiro civil, tendo como candidato a vice meu outro filho Doca, um brilhante advogado, que vão brigar nas urnas contra Gilberto Sarmento, que só sabe mijar no meio da rua quando está bêbado".
O industrial Luiz de Oliveira, sogro de Gilberto Sarmento, havia presenteado um eleitor com uma sanfona, mas soube que ele estava tocando nos comícios dos Gadelha e, como represália, tomou-lhe a sanfona. Zé Gadelha mandou comprar uma de 120 baixos e levou o sanfoneiro para o comício a fim de entregar-lhe o instrumento. E o fez com pompas, dizendo: "Aqui está sua sanfona e pode tocar onde quiser, porque eu não proíbo. Só lhe peço que não toque no cabaré para que Gilberto Sarmento não fique dançando, já que ele só vive lá".
E além de tudo, Zé Gadelha era um exímio comerciante, vivo que só a gôta. Festa da padroeira, todo mundo no pavilhão, de um lado Antonio Mariz e seus seguidores, do outro Zé Gadelha e sua tropa, cerveja vai,cerveja vem, começa o leilão de uma galinha. Eilzo Matos, já triscado, botou preço na galinha "para Zé Gadelha não comer". Zé botou preço de lá, Eilzo de cá, Mariz, amarrado que só orelha de freira censurou o aliado, Eilzo não quís saber, foi preço indo e vindo, até que a galinha chegou a custar nove mil cruzeiros, dinheiro que dava para comprar 50 galinheiros. Eilzo, querendo embatucar Zé Gadelha, gritou do seu canto que dava "9 mil e 500 para Zé Gadelha não comer" e Zé, com sorriso maroto, disse que desistia do leilão e que Eilzo fizesse bom proveito da penosa. Resultado, Eilzo comeu a galinha e ficou dois meses pendurado, até cobrir o rombo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário