quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

BELO TEXTO: KISS DO INFORTÚNIO DESTINO


José Ventura Filho
Entre sorrisos; gestos e atitudes, desnudados de quaisquer desconfianças por parte de infortúnios acontecimentos ou manobras geradoras de interesses mercantilistas e calculistas, desprovidas do princípio maior: o direito à vida, mais de mil estudantes universitários, ainda na flor da idade, na esperança de extravasarem suas emoções e tensões decorridas do estresse diário foram comemorar em uma boate suas conquistas pessoais e profissionais. Ali não tiveram a felicidade de realizar tal desejo.
Era Kiss, uma casa noturna, situada em Santa Maria-RS, o palco de uma das maiores tragédias coletivas acontecida em nosso país. Um incêndio de proporções imagináveis que não só queimou centenas de corpos inocentes, como também a angústia e a paz dos seus pais; familiares e a nação brasileira, deixando marcas profundas de dor pelo resto de suas vidas.
Na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, quis o destino, na contramão do tempo, interromper centenas de vida desses jovens estudantes; mas a Kiss, verdadeiro “matadouro”, também quis ser a irmã fiel desse fatídico acidente, porque não tinha estrutura física, cujo espaço, além de fechado, não era compatível para recepcionar a quantidade das pessoas ali existentes; o teto mal revestido; as janelas dos banheiros inadequadas, e a existência de apenas uma porta (saída e entrada); os instrumentos preventivos ineficazes para suportarem inevitáveis situações de risco de vida e os funcionários totalmente despreparados para atender milhares de pessoas naquele empreendimento, sem suporte técnico e legal para dar conforto e segurança aos seus clientes.
O fogo se alastrava assustadoramente por todos os cantos; e o canto da banda silenciava aquele momento triste para dar lugar ao véu da fumaça que cobria devoradamente todo aquele espaço agônico, composto pelos gritos agitados, assustados e descontrolados dos jovens, motivados pelo pânico, sem rumo e sem direção, em busca de salvação.
Era o passaporte de uma viagem, sem volta, comprado inconscientemente por aqueles anjos que não imaginavam que os seus sonhos fossem trocados por uma “comanda” comandada pela irresponsabilidade alheia, recheada de ganância.
Hoje, só restam lamentações, indignações e orações... A procura da culpa ou do culpado está nas conversas, nos noticiários, nas redes sociais e nas esferas judiciais; mas a falta daqueles meninos é a maior certeza a qual encontramos dentro de nós, onde aqueles sonhos pequeninos são substituídos pela dor maior de um sentimento que se chama saudade...
João Pessoa, 30 de janeiro de 2013 – 10h10min (aniversário do meu pai – in memoriam).

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