"Esse cara sou eu"
Não consigo, por mais esforço eu faça, entender essa segunda viagem dos deputados ao sertão para as mesmas palestras e as mesmas visitas. Antes eles fizeram a caravana, agora levam o SOS, só que, tanto agora como antes, chegam de mão vazias, não levam comida, não levam ração e tampouco água para os sedentos.Somente palavras, jogadas ao vento, ao léo, ao Deus dará.
E repetem os mesmos almoços, os mesmos jantares,as mesmas hospedagens, gastando o dinheiro público em ações que nada produzem a não ser mídia, impacto visual e promoção pessoal.
Até no jogo do Botinha, aqui em João Pessoa, a Assembléia com seu SOS Seca se fez presente! Lá estava a foto mostrando o sorridente presidente e Cia ltda. no meio da multidão, gritando gol e falando de seca, como se aquela torcida apaixonada estivesse interessada no assunto.
Mas eu repito: sou minoria e por isso devo estar errado, só pode, não há outra explicação. Se até os homens de Deus, os chamados divinos, aqueles que livram nossas almas do pecado infernal, exaltam esse trabalho meritório da Assembléia, então o errado sou eu. A partir de agora, quando me sentir uma agulha no palheiro, um corpo solitário em meio a multidão que elogia, gritarei a plenos pulmões: “Esse cara sou eu”. Um Quixote sem moinhos de ventos, ou um Sancho Pança mais desajeitado do que o de Cervantes, a servir, com humildade, ao Quixote Djacy Brasileiro, outra voz que clama no deserto contra essa promoção sem cabresto dos nossos deputados em cima dos deserdados da seca.









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