Em homenagem à transparência, os Senhores do Congresso deveriam
mandar fixar na entrada do prédio de Niemeyer uma placa com o lema do
bom parlamentar: “Se sair à rua, não leve dinheiro. Se levar,
não entre em lugar nenhum. Se entrar, não faça despesas. Se fizer, não
puxe a carteira. Se puxar, não pague. Se pagar, pague com com verba
pública, que é dinheiro grátis.”
Nos últimos dias, o repórter Leandro Colon levou às páginas uma séria de
notícias sobre pedaços do Orçamento da União que chegaram à caixa
registradora de uma tal Bonacci Engenharia. Chama-se Aluizio Dutra de
Almeida um dos proprietários. Até dois dias atrás, era assessor do
gabinete do candidato favorito à presidência da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB-RN).
O repórter resolveu visitar a firma do auxiliar do deputado. Descobriu que a empresa, beneficiária de contratos públicos que somam pelo menos R$ 6 milhões, tem como sede uma residência mixuruca assentada num bairro pobre da cidade de Natal. Do lado de fora, monta guarda ‘Galeguinho’, um bode. Dentro, uma mesa, um computador e um personagem que se identifica como Francinaldo. “Sim, é aqui” que funciona a Bonacci, ele confirma, rodeado pelo ermo.
Casos assim tornaram-se comuns. O contribuinte teria razões para gritar. Porém,
o brasileiro pende de uma árvore genealógica vizinha à do bode
‘Galeguinho’. Pertence à grande família dos cabritos. Tomado de bondade
inaudita, o brasileiro nunca berra.











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