Por José Antônio
A seca é braba. A paisagem na zona rural do sertão é triste e desoladora. O sol nunca esteve tão inclemente.
Os juazeiros começam timidamente a se vestir e os pés de cajarana dos
tabuleiros ainda continuam desfolhados. Os angicos e as catingueiras
agonizam e choram pedindo água e as mangueiras, oiticicas, marizeiros e
cajueiros reinam em terras de baixio e de beira de rios e riachos como
únicas árvores que possuem frondosas sombras.
As invasões às cidades e os saques, fartos no passado, aos armazéns do
governo, às feiras livres, aos estoques de merenda das escolas e ao
comércio felizmente desapareceram do cenário do sertão, mas tenho
certeza se o governo tivesse estoque de ração animal em seus armazéns há
muito tempo que haviam sido saqueados, num sonho utópico, pelas vacas
magras e famintas do sertão.
Nunca o comércio registrou vendas de ração animal igual ao deste ano e apareceu um novo tipo de negócio
que tem favorecido a quem vende e principalmente aos pequenos e médios
pecuaristas: a venda de ração verde, principalmente de pés de milho e
sorgo, passados na forrageira, oriunda do Ceará e do Rio Grande do
Norte, trazidas em caminhões graneleiros e vendidas ao preço de trinta e
cinco centavos o quilo e só nos últimos dias foram comercializadas, só
em Cajazeiras, 120 toneladas e já tem encomendadas mais de 500. Esta
ração tem sido a salvação de muitos criadores, associada aos 200 quilos
que o governo distribui a cada 15 dias.
O milho que o governo federal está vendendo parece uma miragem,
porque tem criador que está com uma ficha na mão cujo número só poderá
ser atendido no ano de 2013, além de que nenhum criador está satisfeito
com a quantidade estipulada.
A ração que o governo do estado vai vender com preço subsidiado, que é o
farelo de soja e a torta de algodão, começou a chegar aos armazéns do
Parque de Exposição de Cajazeiras e nesta segunda-feira, dia 19, os
criadores cadastrados terão direito a comprar uma quantia equivalente a
10% do total avaliado pela comissão encarregada deste setor, conforme a
quantidade de animais de cada propriedade. Por exemplo: quem tem direito
a 4.800 quilos, vai poder comprar 480 quilos. Não era o que se
esperava, mas é melhor do que nada. Não se sabe ainda em que intervalo o
criador vai ter direito as estes 10% de ração, se a cada 15 dias ou uma
vez por mês.
Uma criadora de gado me dizia esta semana: se não chover até dezembro
vai ser o fim de tudo, vai acabar a água e o restinho do pasto seco. Aí me lembrei da letra da música de Luis Gonzaga, “Triste partida”, de autoria do imortal Patativa do Assaré, onde lamenta a não chegada das chuvas. Algumas estrofes:
“Meu Deus, meu Deus
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro...”
A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois barra não tem
Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não".
Mas o sertanejo tem plantado no coração a esperança que as chuvas
virão para que possa salvar o que vai restar de seu rebanho e o libertar
da ração do governo.










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