A cena se passa em ALEXANDRIA, numa calçada larga transformada em bar, mesas com garrafas, copos, água de coco, tira-gosto e muito papo sobre eleição. Discute-se em voz alta, aos gritos, com gestos descontrolados na ausência de argumentos convincentes. Ou então a fala vem em cochicho com jeito de revelar segredo da intimidade da campanha do adversário. Não importa que seja verdade ou mentira, fato ou boato inventado na hora. Isso é o de menos. O importante é entrar no moído, na apaixonada discussão, aliás, interrompida a todo instante pela passagem de carros de som, de candidatos a prefeito e vereador. Ou de garotas de vermelho ou de azul.
Pouco depois, aproxima-se de mim uma jovem com cara de menina me entregou a arma, o santinho eleitoral, o sorriso confiante no slogan de campanha de seu novo ídolo, até para muitos alí que também recebera os papelotes aquilo seria um ato normal, mas a mocinha minha aluna do ensino fundamental tentou arguir de todas as formas que aquele candidato a vereador era melhor opção. Eu fiquei calado refletindo os milagres da política que faz profesor virar aluno e vice versa.
voltei ao mundo quando ouvir um dos meu amigos dizer "eu voto porque tenho fé e acredito" aliás Fé é o que não falta no pleito de Alexandria. Aqui não se raciocina. Aqui se crê. Manifesta-se a convicção nascida da crença do próprio eleitor. Despreza-se a realidade. Ladrão? Que ladrão? Ladrão é o outro..
Um estudante do direito até justifica seu voto na ausência de alternativas, saudoso, também, dos padrões éticos supostamente existentes no passado. Disse alto e bom som, “voto em fulano por absoluta falta de opção”. Quis dizer, boa opção, bem entendido.
Um professor contestou, ele que não vota em doutor nem em ninguém, sequer comparece à seção eleitoral, mas faz mais espuma do que onda do mar... E de tanto ouvir aqui e acolá, Todo explicativo arrisca previsões de causar arrepios no historiador/torcedor apaixonado.
O proprietário do bar FRED com um lápis e papel tentar provar na matemática quais são os vereadores eleitos por coligações.
Um motorista de alternativo mostrar o coeficiente eleitoral e garante que um vereador está eleito pelas sobras de votos.
E assim, na calçada do bar do Fred a cena se desenvolve aos nossos olhos so o cenário de carros de som, dezenas de motos, candidatos, cabos eleitorais cobertos de adesivos. Em torno de copos, garrafas, coco verde, todos nós estamos envolvidos em discussões acaloradas e cálculos e palpites e prognósticos e revelações acusatórias. Todos nós, menos um. Justo o cidadão sentado à minha direita, calado, a escutar com atenção de cristão apostólico romano ou evangélico. Mudo, absolutamente, mudo. Lá para as tantas, ele se levanta, pega o capacete e a chave da moto, vira-se para mim e fala:
Em ALEXANDRIA não tem eleitor, tem é devoto.









Um comentário:
ótimo texto!
PETRÚCIO.
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