Texto por Bruno Hoffmann
Almanaque Brasil de Cultura Popular
25 de outubro - dia da democracia
Durante a ditadura militar (1964-1985), os compositores considerados subversivos eram vigiados de perto.
O principal recurso para burlar a censura era abusar das metáforas e
contar com a pouca inteligência dos censores – o que costumava dar
certo.
Em 1972, porém, Paulo César Pinheiro resolveu escancarar ao escrever Pesadelo, em parceria com Maurício Tapajós. A canção ia direto ao ponto:
Quando um muro separa, uma ponte une
Se a vingança encara, o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua, ela um dia é nossa
Olha o muro, olha o poste
Olha o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós
Olha aí...
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente...olha eu de novo
Pertubando a paz, exigindo o troco
Vamos por aí, eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós
Olha aí...
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo-horizonte
Abraça o dia de amanhã
Olha aí...
“Propus a Maurício um canto de guerra. Uma canção em que não usássemos metáforas, em que disséssemos claramente o que pensávamos, sem subterfúgios, sem firulas, sem máscaras”, Paulo explica no livro História das Minhas Canções.
Quando um muro separa, uma ponte une
Se a vingança encara, o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua, ela um dia é nossa
Olha o muro, olha o poste
Olha o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós
Olha aí...
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente...olha eu de novo
Pertubando a paz, exigindo o troco
Vamos por aí, eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós
Olha aí...
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo-horizonte
Abraça o dia de amanhã
Olha aí...
“Propus a Maurício um canto de guerra. Uma canção em que não usássemos metáforas, em que disséssemos claramente o que pensávamos, sem subterfúgios, sem firulas, sem máscaras”, Paulo explica no livro História das Minhas Canções.
O MPB4 prometeu gravá-la caso fosse aprovada, mas o grupo sabia que era quase impossível passar pelo crivo dos censores. Não contavam com uma artimanha de Paulo César Pinheiro: enviar
a música para análise na pasta das músicas de Agnaldo Timóteo, que
fazia parte da mesma gravadora – os cantores considerados românticos
recebiam aprovação quase automática. Pesadelo voltou liberada e sem cortes. E dizem que Timóteo nunca soube da história.
A canção ganhou os shows do MPB4 e tornou-se um dos hinos de resistência durante os anos de chumbo. Até combatentes da Guerrilha do Araguaia a cantavam na selva para manter o moral elevado.









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