Após série de desgastes, Ana de Hollanda deixa Ministério da Cultura; Marta Suplicy assume
Do UOL, em Brasília
Sergio
Lima/Folhapress

A ministra
da Cultura, Ana de Hollanda, foi afastada da pasta nesta
terça-feira
O governo federal anunciou oficialmente, na
tarde desta terça-feira (11), a saída da ministra da Cultura, Ana de Hollanda,
da pasta. A ex-ministra do Turismo e atual senadora Marta Suplicy (PT-SP)
assume o cargo, segundo informações da ministra das Comunicações, Helena
Chagas. Marta toma posse na próxima quinta-feira (6). No Senado, assumirá a vaga
deixada por Marta seu suplente, o vereador Antonio Carlos Rodrigues
(PR-SP).
Segundo a “Folha de S.Paulo”, a troca
faz parte do acordo para que a senadora se integrasse à campanha de Fernando
Haddad pela Prefeitura de São Paulo.
Trajetória turbulenta
A trajetória de Ana de Hollanda, cantora e
irmã de Chico Buarque, no governo de Dilma Rousseff foi turbulenta desde sua
chegada, no início de 2011. Aos 64 anos, a agora ex-ministra fez carreira
burocrática na Funarte (Fundação Nacional das Artes) e há meses era cogitada
como uma das que deixaria o cargo na reforma ministerial.
Sua primeira medida que causou discórdia foi
tomada com menos de um mês no ministério: retirou do site da pasta a licença
“Creative Commons”, que permite ampla disseminação e cópia de produção cultural.
Ana alegou que os textos divulgados por órgãos do governo federal já permitem
isso sem restrições, mas não conseguiu aplacar a fúria dos adversários.
Um mês e um corte de orçamento depois, a
ministra foi chamada de “meio autista” pelo professor Emir Sader, seu
indicado para gerir a Fundação Casa de Rui Barbosa, em entrevista dele à
“Folha de S.Paulo”. Com a repercussão negativa, desistiu de colocar o militante
esquerdista na chefia do órgão, no qual empossou Wanderley Guilherme dos
Santos.
Em março, Ana minimizou as críticas pela
aprovação de um projeto de R$ 1,3 milhão para criar um blog de leituras de
poesia feito para sua amiga Maria Bethânia. Para ela, “não tem nada
demais” nos R$ 600 mil pagos à cantora, aprovados junto do valor total com
captação via lei de incentivos culturais.
Pressionada a levar ao Congresso uma lei de
direitos autorais, a ministra se isolou. A situação piorou quando o
jornal “O Estado de S. Paulo” publicou reportagem atribuindo pagamento de
diárias indevidas a Ana. Ela passaria fins de semana no Rio de Janeiro sem
agenda oficial, o que teria rendido, em quatro meses de 2011, R$ 35,5 mil em 65
diárias, sendo que em pelo menos 16 delas a ministra não tinha compromissos de
trabalho. A Controladoria Geral da União (CGU) determinou que Ana devolvesse
cinco diárias que recebeu.
Pouco depois, sua pasta foi criticada por
captar R$ 1,9 milhão para a primeira turnê da cantora Bebel Gilberto –sobrinha
de Ana. Liberada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República,
a ministra afirmou que as críticas à sua gestão eram “turbulências
forjadas”.
Resistente às quedas de ministros no ano
passado, Ana teve de aguentar as vaias na abertura do Festival de Brasília de
Cinema Brasileiro, em setembro de 2011. Em meio à crise que levou à queda de
Orlando Silva, titular da pasta dos Esportes, a ministra também sobreviveu ao
boato, em outubro, de que teria deixado o cargo para a deputada Jandira Feghali
(PCdoB-RJ).
Em março deste ano, a Comissão
de Ética Pública pediu esclarecimentos à ministra por ter recebido camisetas
da escola de samba Império Serrano para desfilar no Carnaval. O caso foi
revelado pelo jornal "Correio Braziliense". O brinde foi enviado seis meses após
o ministério zerar a inadimplência da agremiação carioca, desbloqueando o CNPJ
da escola.
O último episódio de desgaste ocorre no
final de agosto deste ano, quando o jornal “O Globo” afirmou que o Planalto
ficou incomodado com uma carta enviada pela ministra para sua colega Miriam
Belchior (Planejamento) reclamando de falta de recursos para a pasta. A
mensagem vazou para a imprensa, contrariando a presidente Dilma.









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