
Não me conformo quando vejo um moço novo, todo cheio de vida, braços sarados, peitos estufados, jeito de academia, beijar na boca da namorada bem muito e, quando dela se afasta, não exibir qualquer alteração geográfica no seu corpo. Isso não é normal, não é natural, tampouco engorda. É coisa estranha, muito estranha, merecedora da minha interrogação e da dúvida quanto a masculinidade daquele moço. Apesar de que a coisa está generalizada, tomou conta do mundo, acabou o tesão, o chamado pau duro, o rasga calça, a garrafa de coca-cola.
Dizem, e acredito, que a culpa é delas. Andam mostrando tudo.
Apareceu agora a moda de se exibir o elástico da calcinha. Hoje você
não precisa ir longe para descobrir a cor da calcinha que a mulher está
usando. Basta espiar, sem ao menos fingir que não está olhando, porque
ela quer que você olhe, mesmo que seja para olhar com os olhos e lamber
com a testa.
Não tem tesão que dure. Acabou-se o mistério, os devaneios, o pensar
"como será?" que nos induzia aos mistérios. Não faz muito tempo, uma
batata de perna, um início de coxa, uma calcinha mostrada de longe,
despertava no homem a loucura do desejo e o levava à punheta salvadora, o
"faz de conta que é nela" que ajudava o adolescente a maturar a idade
adulta.E os namoros faziam a preliminar daquilo que resultaria na
chamada "morte da donzelice", uma preliminar que doía o pé da barriga,
mas que igualmente fazia do rapaz um valente, capaz de enfrentar tais
dissabores em nome da sua masculinidade. E quando o sinal era avançado,
isso acontecia apenas para uma botada nas coxas, coisa de menor
gravidade, porque quando a botada era mais adiante, com certeza
acontecia o casamento na marra, o enlace matrimonial a contra-gosto, que
não dava gosto mas também não obrigava o casório a durar para sempre,
até que a morte separasse os dois pombinhos.
Se isso é saudosismo? Vá lá que seja. Melhor sentir saudades do bicho bom do que ver o bicho bom ficar insôsso e sem graça.









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