Na "Folha", o filósofo Marcos Nobre põe o dedo na ferida: diz que a democracia brasileira só vai sair da paralisia em que se encontra e avançar se "começar a acertar contas" com o PMDB, o partido que, segundo ele, é hoje a verdadeira força política hegemônica do País. Em sua visão, o PMDB prima pelo adiamento permanente de soluções definitivas e evita o debate público, pois traz dentro de si a diversidade e a fragmentação, criando polarizações artificiais. E sem polarização pra valer, diz ele, o sistema político não sobrevive.Na avaliação de Marcos Nobre, neste modelo, vitorioso a partir do declínio da ditadura, interessa que o partido esteja permanentemente no poder, "seja qual for o governo". Para ele, o PT, "antigo eixo de transformações sociais", aderiu à lógica do PMDB a partir do escândalo do mensalão (destruindo a lógica da polarização política que organizava o sistema, tirando o chão do PSDB), "tornando-se 'síndico' do condomínio peemedebista, essencialmente conservador".
Segundo Nobre, as impressões digitais do PMDB na política brasileira são sentidas no "tempo de bonança, desigualdade e pequena política" em que vivemos. Até que uma nova polarização se produza para superar uma vez mais a paralisia da prática pemedebista - como a do PSDB x PT dos últimos 15 anos que, entre outras transformações, nos legou o Plano Real. O primeiro passo, diz ele, seria "destravar o debate público das polarizações artificiais e encontrar novas, reais e acirradas polarizações".
Na lógica do professor da Unicamp, a criação do PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, se enquadra perfeitamente no sistema de peemedebização que vive hoje a política brasileira - nem de direita nem de esquerda nem de centro. "Combina o adesismo à lógica do veto - a compreensão de que fazer política é antes vetar do que fazer propostas", declarou recentemente Marcos Nobre sobre o novo partido.
Segundo Nobre, as impressões digitais do PMDB na política brasileira são sentidas no "tempo de bonança, desigualdade e pequena política" em que vivemos. Até que uma nova polarização se produza para superar uma vez mais a paralisia da prática pemedebista - como a do PSDB x PT dos últimos 15 anos que, entre outras transformações, nos legou o Plano Real. O primeiro passo, diz ele, seria "destravar o debate público das polarizações artificiais e encontrar novas, reais e acirradas polarizações".
Na lógica do professor da Unicamp, a criação do PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, se enquadra perfeitamente no sistema de peemedebização que vive hoje a política brasileira - nem de direita nem de esquerda nem de centro. "Combina o adesismo à lógica do veto - a compreensão de que fazer política é antes vetar do que fazer propostas", declarou recentemente Marcos Nobre sobre o novo partido.
É válido o entendimento do professor, mas creio que não se pode restringir o fenômeno peemedebista ao quintal brasileiro, precisa ser visto por meio de uma lente que englobe a macropolítica mundial. Embora o PMDB seja, sim, um partido de caciques regionais, com interesses difusos, com o fim da polarização da Guerra Fria a política também vem mudando, tem muito business. Será que as polarizações políticas do passado no presente seriam suficientes para gerar expectativas numa realidade em que impera a individualidade?









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