quarta-feira, 18 de maio de 2011

UMA COISA QUE LI OUTRO DIA

Antigamente os pais perguntavam aos filhos: que notas são essas?
Hoje em dia, os pais perguntam aos professores: que notas são essas?
Esse comportamento me parece bem mais típico de escola particular do que de escola pública. Afinal, quando os pais pagam a escola, querem ver resultado – se não pagam, não ligam tanto. Enfim, acho que o problema não é só na escola pública não. É generalizado. E é uma pena essa concepção de “coisa pública” que nós temos, nós não percebemos que o público não é “do governo”, e sim “nosso”, e que nós temos que cobrar que seja bom.
Acho que a questão vai muito além de governo… a desvalorização está arraigada. Professor já foi valorizado um dia, mas quando dava aula apenas a alunos da elite. Quando se iniciou a “democratização” da educação (a criação de “depósitos de alunos”), voltou o problema da desvalorização…
Outro dia li uma possível explicação pros baixos salários dos professores: no passado, o corpo docente era formado principalmente por mulheres, que tinham aquela profissão apenas como complemento à renda familiar. Assim, não era preciso grandes salários, já que o principal provedor da família seria o marido ou pai. Por isso, pelos baixos salários, apenas mulheres se interessavam pela profissão, e como só tinha mulheres se pagava pouco, e ficou assim, um círculo vicioso…
Fico revoltada quando vejo editais de concurso de prefeituras que englobam diversos cargos de diversas áreas, incluindo cargos de professores. É ridículo ver que os salários dos professores são menores do que os dos outros cargos de nível superior, e isso aparecem assim de forma escancarada, num mesmo edital. Que lógica há nisso, se são todos profissionais de nível superior? A coisa toda está tão disseminada que chegam a ter a “cara de pau” de explicitar isso em edital!
Bom, acho que antes de reclamarmos do governo federal, temos que fiscalizar e cobrar de estados e municípios, pois são eles os responsáveis pela educação básica. O governo federal repassa recursos, estabelece porcentagens mínimas de investimento, recentemente estabeleceu o piso salarial nacional, e poderia ser mais generoso nesses números. Mas é preciso pelo menos que estados e municípios cumpram o que está na constituição e na LDB. Há quem defenda que a federalização da educação seria uma solução, ou uma forma mais eficaz de gerir, pois haveria menos desvios no repasse de recursos… quem sabe?

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