O vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), Carlos Alberto Araujo Drummond, disse na tarde desta segunda-feira (16) não saber quem foi o magistrado ou servidor que movimentou, em 2002, R$ 282,9 milhões. A transação foi considerada atípica, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), na semana passada. As informações, que foram entregues à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), indicam que apenas uma pessoa do TRT-RJ movimentou a quantia. De acordo com Drummond, o tribunal pedirá ainda nesta segunda esclarecimentos ao CNJ.
"Nenhum de nós neste tribunal percebeu qualquer servidor ou magistrado com sinais de enriquecimento nesses anos todos", afirmou o vice-presidente do TRT-RJ.
Ele argumentou que essas movimentações são objeto de sigilo fiscal.
"Seria crime se eu soubesse quem fez essas movimentações ou violasse qualquer sigilo fiscal", disse Drummond, ressaltando que divulgará o nome do responsável pela transação atípica assim que o tribunal souber.
Na última sexta-feira, a OAB-RJ enviou ofício ao TRT-RJ pedindo que o tribunal apresentasse quem realizou a transação milionária. A entrevista seria dada nesta segunda-feira pela presidente do TRT-RJ, Maria de Lourdes Sallaberry, que havia suspendido as férias. Ela, no entanto, alegou motivos de saúde e não compareceu à entrevista coletiva.
Se for comprovada movimentação irregular ou ilícita de servidor ou de algum juiz, a OAB-RJ espera que o Ministério Público Federal abra investigações. No entanto, para o presidente da entidade na seccional do Rio, Wadih Damous, o mais importante é que magistrados "não resistam a um sistema de transparência".
"Os indícios (de irregularidades) são muitos. Se constituem crime ou conduta irregular é o que queremos saber. Os juízes, a associação dos magistrados, em vez de clamar tanto por sigilo, deveriam clamar por publicidade. Como servidores, têm a obrigação da transparência, mostrar que não têm nada a temer. Mostrar que sua movimentação, mesmo atípica, foi regular", declarou.
São consideradas transações atípicas, pelo Coaf, operações financeiras que fogem dos padrões bancários e do sistema de prevenção à lavagem de dinheiro. Entre 2000 e 2010, foram identificadas R$ 855,7 milhões de operações do tipo, feitas por juízes e servidores do Judiciário.
A corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, que recebeu os dados sobre as movimentações irregulares, encaminhou as informações ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira.










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