segunda-feira, 30 de julho de 2012

VANDRÉ EM CASA!

1BERTO DE ALMEIDA

Em uma não tão recente entrevista por aqui publicada Geraldo Vandré era só lamento. Não estranhei. A última vez que o vi no Ponto de Cem Réis, o Calçadão Maldito da Província das Acácias, ele também lamentava. Ou melhor: vociferava.  Não aceitava o fato de continuar, segundo o próprio, vivendo exilado. “Vivo exilado no meu próprio país!”
 
Todos que passavam e ouviam aquele homem de cabelos e bigode grisalhos e não davam a mínima. Não sabiam quem era. Agora, porém, como descobriria através da leitura matinal do jornal do dia, o seu lamento até que tinha sentido. Tem. A casa onde nasceu, na Rua Almirante Barrosos, foi destruída. Hoje somente suas paredes - as velhas construções sempre “morrem” assim  – continuam em pé. A casa onde Nasceu Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, porém, vista como um “imóvel”, está um lixo! E tem servido apenas para esconderijo de marginais e dormida de pobres viciados.  E atentem: a casa, ou melhor, o que restou dela, está localizada num centro da cidade! Uma pena.
 
Vandré, segundo ainda o próprio, pensava em transformá-la mais uma vez em uma casa. A sua casa. A Casa de Geraldo Vandré. Uma espécie de retiro e espaço onde pudesse guardar as lembranças que hoje carrega na parede da memória. Se dói? Somente ele poderá dizer. Não seria, porém, como para muitos possa parecer, um lugar do “culto à personalidade” do filho do Dr. Vandregísilo. Mas um lugar somente seu, onde quem o procurasse por Vandré ali pudesse encontrar. Ora, ora, ora! Se é difícil falar com Vandré, imaginem encontrar com Vandré! Seria muito bom.
 
Bem que as nossas competentes – eu disse competentes?! – autoridades culturais poderiam pensar no assunto, indenizar o atual proprietário – se não me engano a casa foi vendida pela família, se não me engano – e tornar realidade o desejo dessa “lenda viva”. Vandré merece mais que uma estátua que ainda não tem em praça pública. E se ainda não tem é porque esperam que ele troque de roupa e se mude para outra idade.
 
Mas, pensando bem, em praça não. Não somente seria triste, seria trágico encontrar o autor de Pequeno Concerto Que Virou Canção – outros escreveriam Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores e Disparada – formando uma dupla com o chato e insuportável e desconhecido para muitos Mané Caixa D’água. Vandré não merece. Isso não.

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