Endividamento do brasileiro bate recorde em outubro, aponta BC
Após crescer por dez meses seguidos, percentual de dívida em relação à renda das famílias chega a 44,53%
Gabriela Valente
O Globo
BRASÍLIA - O brasileiro nunca esteve tão endividado. O percentual
da dívida total das famílias em relação à renda anual média quebrou
todos os recordes: aumentou de 44,47% para 44,53%, em outubro. De
acordo com os dados publicados nesta quarta-feira pelo Banco Central,
foi o maior patamar já visto desde quando o BC começou a registrar os
dados em 2005. Essa foi o décimo mês consecutivo de alta.
- O endividamento aumentou porque o crédito ainda cresce muito mais
que a renda e enquanto isso acontecer, o endividamento total vai
continuar aumentando – afirmou o economista da consultoria Opus
André Gamerman, que lembrou que o ritmo de crescimento de financiamentos
no Brasil está em 16% e a renda cresce a uma taxa de 9%.
No entanto, nas contas dos técnicos da autarquia, quando o crédito
imobiliário é excluído, há uma queda nesse índice. O BC passou a
divulgar esse cálculo há apenas dois meses. O dado mais recente, de
outubro, mostra uma queda de 31,09% para 30,94%. O discurso das
autoridades tanto do Banco Central quanto do restante da equipe
econômica é que é justamente o financiamento da casa própria é que tem
espremido a renda das famílias e que isso não é uma coisa ruim porque
representa investimento.
Os dados da autoridade monetária revelam ainda que o comprometimento da
renda, ou seja, quanto as famílias gastam, em média, por mês com o
pagamento de dívidas, caiu pelo terceiro mês seguido. Passou de 21,94%
para 21,5% em outubro. Descontado o crédito imobiliário, a queda foi de
20,61% para 20,16%. E foi a quarta consecutiva registrada. Já os gastos
apenas com juros chegaram ao menor nível desde março de 2011. Desceram
de 7,62% para 7,48%.
- As taxas para empréstimo vêm caindo de maneira sistemática, ou
seja, o consumidor consegue rolar a dívida dele a uma taxa menor, e isso
faz com que seu comprometimento de renda caia – afirmou Gamerman.
Segundo as estatísticas do BC, mesmo com esse alívio no bolso das
famílias, em outubro, a inadimplência da pessoa física não se mexeu
naquele mês. Ficou estável em 7,9%. Entretanto, o nível de calote voltou
a cair levemente em novembro e ficou em 7,8%.










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