sexta-feira, 22 de junho de 2012

NOTÍCIA QUENTINHA: NO PARAGUAI A COISA TÁ FEIA!


Senado paraguaio aprova impeachment de Fernando Lugo
 
Após processo relâmpago, presidente é destituído em ação reproadva por diplomatas estrangeiros
 
Flávio Freire, enviado especial
O Globo
ASSUNÇÃO — O senado paraguaio aprovou na tarde desta sexta-feira o impeachment do presidente Fernando Lugo, após um rápido processo iniciado na quinta-feira na Câmara dos Deputados sob o argumento de que ele não exerce sua função devidamente. Com 39 votos a favor e 4 contra (2 ausências), Lugo foi destituído do cargo no Senado. Seu vice, Federico Franco, antigo aliado e atual crítico, assume o poder do país até as próximas eleições, previstas para daqui a nove meses.

- Por 39 votos a 4 se declara culpado Fernando Lugo e, por isso, o presidente terá que ser destituído do cargo - disse o presidente do Congresso Jorge Oviedo Matto.

Enquanto a maioria se limitava a indicar seu voto, um dos quatro senadores que votaram pela absolvição de Lugo, o ex-ministro do interior Rafael Filizzola foi enfático no momento da votação.

- Rejeito veementemente o circo que está sendo montado aqui. Um circo sem pé nem cabeça - disse.

Já há rumores de tiros e violência em frente ao Senado, onde muitos manifestantes se concentravam desde de manhã. Federico Franco, que deve assumir, se encontra na sede do Senado.

A decisão foi tomada sem a presença de Lugo, que preferiu ficar na sede do governo em vez de ir ao Senado se defender durante duas horas - tarefa que foi desempenhada pelos seus advogados. Mais cedo, Lugo se disse vítima de um golpe de Estado e tentou recorrer do processo de impeachment. Ele argumenta que o julgamento é inconstitucional por causa da velocidade com que foi aprovado. Na Câmara, 76 deputados votaram a favor do impeachment e apenas um contra. Em uma tentativa de ganhar uma sobrevida, ele teria se reunido com os integrantes do Partido Colorado na manhã desta sexta-feira para negociar apoio.

Uma comissão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) liderada pelo chanceler brasileiro Antônio Patriota foi até Assunção preocupada com o processo democrático paraguaio. Os chanceleres tentaram angariar apoio ao presidente no Senado e frear o julgamento relâmpago.

Os parlamentares paraguaios argumentam que a Constituição está sendo cumprida, por isso não se pode falar em golpe. A acusação de que Lugo não exerce devidamente sua função de presidente ganhou força após a morte de 17 pessoas durante uma operação de desocupação de uma área próxima à fronteira com o Brasil na semana passada. Ele é acusado ainda de nepotismo, má gestão das Forças Armadas e de ser brando no combate à violência.

Lugo sustenta que a motivação para o ataque é política, já que os setores mais conservadores da política paraguaia não ficaram satisfeitos com as mudanças promovidas em seu mandato, principalmente a inclusão social dos mais pobres.

Mesmo com a pressão interna, Lugo se recusou a pedir renúncia e pediu, sem sucesso, o direito de ter mais tempo de preparar sua apresentação de defesa no Senado.

Apesar da forte oposição política, Lugo ainda contou com apoio popular a partir do anúncio do impeachment. Paraguaios saíram de várias cidades em direção a Assunção para fortalecer o presidente. A maior parte dos partidários são camponeses e sem terras.

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