Senado paraguaio aprova impeachment de Fernando Lugo
Após processo relâmpago, presidente é destituído em ação
reproadva por diplomatas estrangeiros
Flávio Freire, enviado especial
O Globo
ASSUNÇÃO — O senado paraguaio aprovou na tarde desta
sexta-feira o impeachment do presidente Fernando Lugo, após um rápido processo
iniciado na quinta-feira na Câmara dos Deputados sob o argumento de que ele não
exerce sua função devidamente. Com 39 votos a favor e 4 contra (2 ausências),
Lugo foi destituído do cargo no Senado. Seu vice, Federico Franco, antigo
aliado e atual crítico, assume o poder do país até as próximas eleições,
previstas para daqui a nove meses.
- Por 39 votos a 4 se declara culpado Fernando Lugo e, por
isso, o presidente terá que ser destituído do cargo - disse o presidente do
Congresso Jorge Oviedo Matto.
Enquanto a maioria se limitava a indicar seu voto, um dos
quatro senadores que votaram pela absolvição de Lugo, o ex-ministro do interior
Rafael Filizzola foi enfático no momento da votação.
- Rejeito veementemente o circo que está sendo montado aqui.
Um circo sem pé nem cabeça - disse.
Já há rumores de tiros e violência em frente ao Senado, onde
muitos manifestantes se concentravam desde de manhã. Federico Franco, que deve
assumir, se encontra na sede do Senado.
A decisão foi tomada sem a presença de Lugo, que preferiu
ficar na sede do governo em vez de ir ao Senado se defender durante duas horas
- tarefa que foi desempenhada pelos seus advogados. Mais cedo, Lugo se disse
vítima de um golpe de Estado e tentou recorrer do processo de impeachment. Ele
argumenta que o julgamento é inconstitucional por causa da velocidade com que
foi aprovado. Na Câmara, 76 deputados votaram a favor do impeachment e apenas
um contra. Em uma tentativa de ganhar uma sobrevida, ele teria se reunido com
os integrantes do Partido Colorado na manhã desta sexta-feira para negociar
apoio.
Uma comissão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)
liderada pelo chanceler brasileiro Antônio Patriota foi até Assunção preocupada
com o processo democrático paraguaio. Os chanceleres tentaram angariar apoio ao
presidente no Senado e frear o julgamento relâmpago.
Os parlamentares paraguaios argumentam que a Constituição
está sendo cumprida, por isso não se pode falar em golpe. A acusação de que
Lugo não exerce devidamente sua função de presidente ganhou força após a morte
de 17 pessoas durante uma operação de desocupação de uma área próxima à
fronteira com o Brasil na semana passada. Ele é acusado ainda de nepotismo, má
gestão das Forças Armadas e de ser brando no combate à violência.
Lugo sustenta que a motivação para o ataque é política, já
que os setores mais conservadores da política paraguaia não ficaram satisfeitos
com as mudanças promovidas em seu mandato, principalmente a inclusão social dos
mais pobres.
Mesmo com a pressão interna, Lugo se recusou a pedir
renúncia e pediu, sem sucesso, o direito de ter mais tempo de preparar sua
apresentação de defesa no Senado.
Apesar da forte oposição política, Lugo ainda contou com
apoio popular a partir do anúncio do impeachment. Paraguaios saíram de várias
cidades em direção a Assunção para fortalecer o presidente. A maior parte dos
partidários são camponeses e sem terras.









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