Um discurso relevante dirigido ao ermo do vazio
Josias de Souza
Diz-se que, no Brasil, o ano começa depois do Carnaval. O Congresso decidiu retardar o início de 2012. Ali, o ano só vai começar na semana que vem. Na terça-feira, que ninguém é de ferro.
Diz-se que, no Brasil, o ano começa depois do Carnaval. O Congresso decidiu retardar o início de 2012. Ali, o ano só vai começar na semana que vem. Na terça-feira, que ninguém é de ferro.
Poucos congressistas bateram o ponto nesta quinta. Um deles, o deputado Reguffe (PDT-DF), animou-se a discursar. Falando para um plenário ermo, dirigiu ao oco do vazio um par de requerimentos.
Pediu que sejam incluídos na pauta de votações da Câmara dois projetos que mofam nas gavetas. Um, velho de 11 anos, propõe a proibição de cobrança de “assinatura básica” em serviços como a telefonia. A clientela passaria a pagar apenas o preço das ligações.
Outro, que acumula bolor há cinco anos, obriga as empresas a especificar os tributos escondidos nos preços das mercadorias e dos serviços. Assim, as notas fiscais passariam a anotar quanto o governo morde em cada compra.
Numa escala de zero a dez, a chance de Reguffe ser atendido é de menos dez. Os projetos que o deputado quer ver votados são sérios demais para que a Câmara os leve a sério. Estão condenados à gaveta.









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